Resignação…

Falar do Luís Miguel Rocha é falar, sobretudo, de um amigo.

Conheci o Luís através do meu segundo livro, “Os Senhores da Vida e da Morte”, quando detinha a editora Mill Books.

Mas se foram os livros que nos ligaram, foi acima de tudo, a cumplicidade, a confiança, as ilusões, os sonhos e as óptimas conversas e desabafos que tínhamos.

Podíamos estar bastante tempo sem falarmos, que sabíamos que o outro estaria sempre ali, do outro lado, pronto para conversar, rir e receber a partilha.

O Luís, que escreveu sempre dentro de um estilo literário que nunca foi o meu preferido, queria imenso escrever sobre outros géneros, saindo um bocado do que o celebrizou, onde ia sentindo alguma desmotivação.

“A Resignação” é o exemplo. Ele segredava que estava cada vez mais difícil encontrar o rumo da história. Mas tentava… E foi conseguindo…

Por isso, mesmo sem ler, sei que a sua parte estará bem escrita, que a história terá o seu cunho, mesmo aquela que os autores Rui Sequeira e Porfírio Silva escreveram. Não coloco em causa, longe disso, a qualidade dos intervenientes no términus desta obra e em toda a sua dedicação para a mesma. Quer literária, mas muito também pela amizade que tinham com o Luís, emocional. Reitero que esta será das melhores homenagens que se pode fazer ao Luís.

Mas…sim incluo o meu, Mas, aqui… esta obra é a Resignação do Luís ao facto de estar preso a um estilo que acabou por lhe trazer as algemas da literatura.

Um escritor precisa de abdicar das fronteiras dos géneros, para se rever na sua imaginação. Mas os populismos e as leis de um mercado que, como todos os outros, tem as suas exigências, acabam sempre por ditar fronteiras e demasiados limites na capacidade criativa de um escritor.

E os thrillers são um dos géneros. Em especial os que se entregam às questões religiosas e morais. Pensem num Dan Brown escrever um puro romance ou um livro sobre um homem que deambula entre a metamorfose de Kafka e os delírios Socráticos do Ser? Acreditariam que seria Dan Brown, se fosse assinado por ele? Acham que teria o mesmo êxito que teem os seus livros atuais?…duvido… e o grande exemplo é uma JK Rowling… ou diria Robert Galbraith quando quis se aventurar por outros géneros…

Mas o Luís quis trazer a Resignação de Bento XVI. Ou a sua Resignação?…

Mas o que interessa mais, e certamente terão a oportunidade de desfrutar disso, é o regresso a título póstumo, do Luís Miguel Rocha.

Não irei entrar aqui em sentimentalismos ou saudosas lembranças, porque essa é uma parte que reservo para mim, mas diria que gostava de ver publicados, outros textos do Luís. Não deste estilo, mas dos que moldam uma qualidade de escrita reconhecida.

Assumo que não irei ler este novo livro. Apenas porque não aprecio este género literário, e apenas falo do thriller religioso. Mesmo apesar de já ter lido e gostado de alguns anteriores a este. E foram nesses poucos, que encontrei a qualidade e a diferença da escrita do Luís. Mas cansa-me os géneros literários demasiado redondos.

Mas leiam-no e procurem, quem o conheceu por livros ou pessoalmente, encontrar o Luís nessas páginas. Ele irá gostar, estou certo.

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