Heróis do Ar, por Jaime Oliveira Martins. Entrevista exclusiva.

Jaime Oliveira Martins acabou de lançar o seu terceiro livro, “Heróis do Ar”, pela Cultura Editora.

Uma obra que vem fechar uma trilogia que começou com “Fontes de Guerra, Fontes de Paz” e que pelo meio surgiu “Mar Liberal”.

Após as apresentações de Leiria, sua terra, Moimenta da Beira, Lisboa e Porto, chegou a vez de Coimbra.

O Et(h)er esteve lá e assistiu a uma casa cheia de amigos, leitores e curiosos que entravam e saíam no auditório da Fnac.

A apresentação ficou a cargo do Tenente-Coronel Piloto-Aviador Monteiro da Silva, que começou por referir que após dois livros em que Jaime Martins atravessou a guerra por terra e mar, faltava o ar. “O ar aparece por ultimo, mas a aviação é a mais importante…”.

O ar que envolve conflitos presentes e passados, e decidirá muitos futuros. Mas no ambiente onde Jaime decorre com a historia, a primeira grande guerra, os pilotos segundo este militar, tinham uma conduta de regras, de respeito e de uma ética consciente.

O grande exemplo era a Fraternidade, palavra tão badalada na génese da Republica Francesa. O Tenente-Coronel Monteiro da Silva chega mesmo a ler um pedaço do “Heróis do Ar”, onde o autor segue com precisão essa mesma conduta que prevalecia na altura entre os aviadores, mesmo que inimigos.

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Jaime Oliveira Martins concedeu uma pequena entrevista, em exclusivo, ao Et(h)er, sobre este novo livro,

 

Et(h)er – Fala-nos do que se trata este “Heróis do Ar”.

Jaime Oliveira Martins – O “Heróis do Ar” trata-se de um romance Histórico que nos fala da implantação da República e dos conturbados anos que se seguiram, aproveitando o mote de coincidir com os primórdios da aviação militar em Portugal. Mantendo o rigor histórico, personagens ficcionados interagem com personagens reais,  levando o leitor a levantar voo num Farman 40 em 1917, em Vila Nova da Rainha, e a aterrar em Monte Real num F16 em 2009. Pelo meio, vive as marcas da guerra, os encontros, desencontros amores e paixões dos diversos protagonistas.

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E. – Na conversa que tivemos anteriormente (a), referiste que este livro fecha uma trilogia em que quiseste honrar heróis. Mas achas que os mesmos terminam neste livro?

JOM. – Não terminam neste, nem em nenhum livro, pois fazem parte da nossa memória colectiva.

 

E. – Que pesquisas fizeste para este livro?

JOM. – Muita bibliografia, fontes primárias e fontes secundárias. Algumas horas passadas em bibliotecas, museus e Arquivo Distrital de Leiria. Também julgo importante as visitas feitas aos locais, às trincheiras da Flandres, à procura das vivências e as experiências daqueles homens. Para tal, cheguei a efectuar um voo num avião bilugar com 66 anos, que foi o mais próximo da época que encontrei em condições de voar.

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E. – Na apresentação de Leiria, a primeira, tiveste o cuidado em oferecer um livro à primeira mulher a pilotar um F16. Queres explicar o porquê dessa tua iniciativa?

JOM. – Foi entregue um exemplar do livro ao Sr. Comandante da Base Aérea nº 5 em Monte Real, de que será fiel depositário, e se for o caso, entregará ao seu sucessor, e assim sucessivamente, até que este exemplar seja entregue à primeira mulher portuguesa a pilotar um F-16.

Espero que este gesto seja também um estímulo para todos os jovens, homens ou mulheres, para que procurem concretizar os seus sonhos, não se deixem dominar por preconceitos  e abracem os desafios de uma carreira que faz dos homens do ar seres únicos.

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E. – Neste livro onde está o Jaime Martins? Num avião, num herói, numa simples personagem?

JOM. – Em todo o lado, desde o pai que procura aconselhar um filho, ao filho que, embora respeitando o pai, segue o seu rumo, num nadador-salvador dos anos 80…

 

E. – Fazes neste livro uma homenagem aos combatentes da primeira grande guerra, mas também ao único português fuzilado em França, durante esse conflito. Sentes que dás um contributo ao exaltar desses homens que tanto deram de si em prol da Liberdade?

JOM. – Sem qualquer menosprezo pelos actos heróicos, que os houve, os heróis têm sido exaltados ao longo dos tempos. Preferi dar voz àqueles a quem a voz tem sido calada, vítimas das escolhas e opções de uma oficialidade que não tinha qualquer relutância em mandar os seus homens para a morte, ou mesmo executá-los a título de exemplo.

 

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E. – Como tem sido estes primeiros dias do “Heróis do ar”?

JOM. – Alucinantes, mas gratificantes com as salas das apresentações cheias, e com os primeiros retornos de leitores, muito estimulantes.

 

E. – Para onde gostavas que voasse este “Heróis do ar”?

JOM. – Gostava que este Heróis do Ar voasse dando um contributo para o melhor conhecimento da nossa História. Que os leitores de forma descontraída, agradável e emocionante, consolidem esse conhecimento, e sejam levados a reflectir. Gostava ainda que constituísse um estímulo aos jovens, para perseguirem os seus sonhos, e nunca desistirem de sonhar, dominados por estigmas, dogmas ou preconceitos.

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Grato Jaime, e ficamos à espera de mais livros e mais histórias.

Abraço

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