O Agenciamento Literário em Portugal, por Nuno Rocha

Ser agente literário em Portugal é uma farsa, afirmação forte para quem o é. Quem tem conhecimento de como se organiza este mercado internacionalmente sabe que os agentes nacionais, são 3 empresas neste momento, são apenas uns prestadores de serviços que muitas vezes são ultrapassados pelas editoras, que negoceiam directamente com os escritores. Mas como é que ser organiza este negócio? Podemos começar esta explicação pelo panorama internacional, sendo que, os agentes literários ou as empresas que fazem este serviço tem como sede, Barcelona, em Espanha. Neste local é onde se localizam os melhores agentes de todo o mundo, existindo várias empresas de agenciamento que têm representação em todo o Mundo, através de subagentes em todos os países do mundo, sendo que são estes que representação os escritores e apresentação as obras destes às editoras. É evidente que existem agentes em Madrid, em Londres, nos Estados Unidos, China, entre outros, mas reportam às agências literárias de Barcelona. Em conversa com uma agente de renome, respondendo à questão, porque é que as grandes agências literárias estão sediadas em Barcelona, esta referiu que talvez por uma questão cultural, visto que é um local que sempre teve ligado às artes, Gaudí, despensa apresentações, mas quem visita a cidade sente a valorização da arte e por essas razões, as agências foram surgindo e foram conquistando o seu espaço.

É evidente que existe o poderio Norte Americano, que também é forte no agenciamento, dos escritores daquele lado do atlântico, mas quando um autor europeu entra neste mercado, não é representado por uma agência daquele país, mas sim por uma agência europeia, que sede em parceria a representação e fazem contratos em conjunto, dividindo a percentagem por abas as agências. As agências literárias europeias funcionam como um “polvo”, pois estas têm subagentes, representantes, em todos os pontos do globo, estes representam em portfólio todos os escritores da agência, sendo comissionados por contrato e por royalties anuais das vendas de livros de cada escritor. Nos contratos, que estes subagentes fazem directamente, ou seja, um escritor angariado por este, a editora a quem estes apresentam os novos escritores, só avança nas negociações, porque estes representam a agência X, independente do negócio que se faça, a agência tem sempre participação em todos os contratos, pois “lá fora” um escritor só conseguimos chegar “à fala” com uma editora, para publicação, através do seu agente literário.

Em Portugal, tudo é diferente, as editoras negoceiam directamente com os escritores, por outro lado são os escritores que contactam as editoras e vivemos em constantes atropelos e presunções de que “eu, sou mais eu.”

Ora vejamos, as agências Literárias são muito recentes, os escritores de “renome”, são poucos, diria, muito poucos. Reconhecidos e com vontade de serem reconhecidos como escritores. Escritores, podemos falar de Válter Hugo Mãe, António Lobo Antunes, Agustina Bessa Luís, o próprio Luí Miguel Rocha, pessoas vivem e dedicam-se à escrita, e depois temos aqueles que não vivem directamente da escrita, como escritores, mas escrevem livros e bons livros, mas tem outra visibilidade que lhes permitem vender esses mesmos livros, por vezes fruto do valor da escrita, outras vezes fruto do valor da imagem. Em Portugal costumo dizer que todos queremos ser escritores, mas aqueles que merecem ser valorizados são aqueles que não fazem outra coisa senão escrever. E nesse sentido, por vezes, para não dizer na maioria das vezes, são as editoras que procuram os “autores” designados como “figuras publicas” e lhes apresentam projectos de escrita para publicar livros, não abrindo espaço a novos escritores nem aos agentes literários. Vivemos em constante atropelo, em que o escritor, trata directamente com a editora, apenas recorre se alguma coisa correr mal, o que é raro, por vezes é o escritor na ansia de ver o seu livro publicado, faz mil e um contactos com editoras e não se limita só à escrita como deveria ser a sua função e deixar essas preocupações para os agentes.

No entanto é um mercado em ascensão, alguém tem de fazer este trabalho e os que operamos, realmente fazemos bem esta função com muito profissionalismo.

Nós na Naive Marketing, tentamos elevar o valor dos nossos escritores, que na grande maioria são novos escritores no mercado, mas com livros publicados, Carlos Almeida, Rui Sequeira, Porfírio Silva, Susana Maria Inês e o Ilustrador Álvaro Dias.  Nascemos devido à gestão de carreira de Luís Miguel Rocha, trabalhos em parceria com algumas agências internacionais e vamos dando passos sólidos, mas a um ritmo lento, visto que, como ler um livro, também demora o seu tempo.

Nuno Rocha – agente literário e responsável pela agencia literária Naive.

Grato ao Nuno por esta partilha no Et(h)er dos Dias.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s