A rampa e a sereia, pelo et(h)eriano Rui Azeredo

 

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No fim da subida não há nada, mas nem isso os impede de avançar. O casal, já idoso, nem por isso trava ou sequer abranda. Há de chegar ao topo, ver as vistas (pouco haverá a ver, por causa da neve e do cinzento que impera), inspirar fundo e voltar para trás. Terão ido espreitar o que lhes reservava o futuro? Não saberiam, por certo, que daí a oito anos (hoje) uma foto deles seria publicada num blogue. E nós, eu que escrevo e vocês que leem, quantas vezes teremos sido fotografados sem sabermos, meros elementos de uma paisagem? Quantas vezes terão outros pensado quem seríamos e o que faríamos? E o casal, que entretanto já desceu a rampa, onde estará hoje em dia? Continua a subir aquela rampa, ou foi uma vez sem exemplo? Imagino que naquele dia desceram a rampa, foram dizer olá à Pequena Sereia, que “mora” ali ao lado, dirigiram-se em passeio até Copenhaga, ignorando o frio e a neve bela mas por vezes incomodativa, e retemperaram-se com um chá.

Ou se calhar enganaram-se, simplesmente, e desceram irritados a rampa, não querendo sequer saber da sereia.

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